sexta-feira, 17 de abril de 2015

O vinho do Bacalhau

A Sexta feira santa para os cristãos (como eu) é o dia que se comemora em memória de Jesus Cristo.  A tradição que remonta à Idade Média, quando havia um intenso calendário religioso de jejum de carnes vermelhas, foi popularizada no Brasil com a chegada da família real portuguesa em 1808 e desde então o peixe está incluído nos cardápios para celebrar o período de Páscoa, por essa razão a sofisticação da tradição se traduziu de algumas décadas para cá, e o nobre peixe está presente: é o dia do Bacalhau à mesa!
 Por se tratar de um peixe, mas com sabor e aromas intensos, o bacalhau harmoniza bem com vinhos que vão desde o vinhos Verde até tintos encorpados do Douro, o que muda  nessa combinação  é justamente a forma que preparamos.
De uma maneira geral os vinhos brancos mais leves e refrescantes normalmente são dominados pela intensidade do bacalhau, enquanto os taninos dos tintos mais encorpados travarão batalha sem vencedores contra o sal do peixe. Mas, como existem centenas de receitas de bacalhau, todas elas se harmonizarão com o mesmo vinho?  Dificilmente.
Para descomplicar as muitas as variações de preparo, resumi em cinco para facilitar a escolha:

terça-feira, 7 de abril de 2015

Garrafa Aberta?

Na minha primeira viagem aos Estados Unidos, fui conhecer San Francisco. Além de ir a Napa Valley e conhecer toda família Mondavi, procurei entender o consumo de vinho em um país que durante anos teve um consumo muito semelhante ao nosso e que em pouco tempo quintuplicou.  Percebi que além da oferta bem generosa, lojas de bebidas bem espalhadas, praticamente uma em cada rua (que são longas), os bares tinham um serviço que me chamou atenção e me deu a compreensão do que viria a se tornar o descomplicando o vinho.

Parei em um buteco, minúsculo, pude ver que havia algumas garrafas de vinho abertas dentro de uma geladeira com porta de vidro. Pedi uma taça e puxei papo com o atendente só para saber como eles faziam. Na época tínhamos no Brasil já algumas maquinas chamadas de “wine Server” importadas justamente da Califórnia, mas ele me disse que aquilo era um exagero, que eles abriam a garrafa, serviam e tampavam com a própria rolha, sem vaco vin, sem nada, um jeito muito simples, despretensioso.  Para mim aquilo bastou para entender que se quiséssemos crescer no consumo tínhamos que tirar o vinho de um “grupo de elite” e transforma-lo em algo trivial. Efetivamente fazer do vinho um produto do dia a dia.

domingo, 8 de março de 2015

Um Vinho, Uma Mulher, um Caminho Feliz!

Escrever sobre vinhos, amor e mulher é uma dádiva, uma alegria que me dá muito prazer. Coincidentemente fazendo uma busca na caixa de e-mails li a mensagem  de uma leitora me congratulando pelo artigo do ano passado nessa data que estamos prestes a comemorar. Por pura paixão pelo temo fui ler o artigo e de fato estava muito inspirado, e até poema foi escrito.

Fico feliz pude perceber na frase: “Descrever um vinho é quase poesia, descrever a mulher é tentar trilhar as incríveis nuances do ser, tão complexo e instigante como uma boa taça de vinho”, que o vinho nos leva ao âmago do ser. É uma bebida feminina na essência e muitas vezes masculina quando se apresenta, talvez por isso nos encante tanto.

Há algumas semanas vinha me preparando para escrever sobre o tema. Tão logo minha amiga Suzana Barelli noticiou que iria participar da 9.ª edição do Argentina Wine Awards (AWA) - o mais importante concurso de vinhos na Argentina. Para o ano o Wines of Argentina elegeu como tema “The Empowerment of Women in Wine” (podemos traduzir como “o aumento do poder das mulheres no vinho) e formou um time só de 18 juradas, 12 delas estrangeiras. Uma das principais criticas do vinho, a  inglesa Jancis Robinson (admiro muito) foi o principal nome do júri – pensei em escrever sobre esse papel, essa participação cada vez maior e mais influente.  Me preparava até para falar da Casa Ermelinda Freitas de Portugal que tem 4 gerações de mulheres no comando, mas após ler esse e-mail percebi que, apesar de acreditar que todos são os dias das mulheres, se faz necessário marcar a data e prestar a homenagem.
Beber um bom vinho com um amigo é muito bom, principalmente quando conseguimos uma bela harmonia e ambos aproveitamos o melhor do liquido, porém beber um bom vinho com uma mulher é enaltecer o momento.  As mulheres dão outro colorido, opiniões contundentes e delicadas ao mesmo tempo, não sei, mas parece que são sinceras no mais alto grau. Algumas demonstram uma certa insegurança, pura provocação! Elas são certeiras!

Ah mulheres! Vocês invadem nossas mentes e sonhos de uma forma...pedindo licença ou não. Não há mais espaço, não há como negar...se saíram de nossas costelas, Deus retirou a melhor, a mais bela...mas, ainda acredito que Deus teve uma ideia melhor...

Que sejam sempre companhia, companheiras e a melhor criação do universo.
Feliz dia Internacional da Mulher!



quinta-feira, 5 de março de 2015

Como fazer uma carta de vinho

por Alexandre Santucci

Carrego em meu currículo uma marca que me agrada muito. Fui durante 5 anos o consultor responsável do Restaurante Arábia (SP) para realização da carta de vinhos, bem como treinar a brigada para a venda, com isso ganhamos por duas vezes o prêmio de uma das principais cartas de vinho do Brasil pela revista Prazeres da Mesa.
Era um período em que estava totalmente voltado para o assessoramento à restaurantes, lojistas e importadores para escolha de produtos, posicionamento de negócio, marca, e também me colocando como professor em Universidades para os cursos de Gastronomia, Hotelaria e Eventos.
Meu desafio não era apenas fazer um restaurante de comida árabe ser reconhecido como uma boa carta de vinhos, mas intimamente carregava uma informação que ao mesmo tempo que me motivava me causava preocupação, quem vinha antes de mim era nada menos que Manoel Beato, um dos melhores sommeliers do mundo e o sommelier chefe do Grupo Fasano.
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